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O transplante

É uma das formas de tratamento para pacientes com insuficiência renal crônica terminal, isto é, falência renal irreversível. É importante assinalar que a falência renal pode ser aguda, devida a várias causas, transitória e reverter sem deixar sequelas funcionais.
O transplante ou diálise se indica para os casos de insuficiência renal crônica irreversível e o médico tem condições para separar um tipo do outro. Assinalamos que urinar grandes volumes não significa que os rins são bons ou que a função renal seja normal. Não é infrequente observar pacientes com insuficiência renal grave e com diurese alta – acima do habitual.
Há três formas para tratar o paciente com insuficiência renal:

1- Tratamento chamado conservador – feito com medicamentos e dieta pobre em proteínas, com sal ou pobre em sal dependendo de cada caso. Essa forma pode se estender até fases avançadas de insuficiência renal, mas, cabe sempre ao médico informar o momento de indicar outras opções terapêuticas – diálise ou transplante.
2- A segunda opção é o da diálise crônica, hemodiálise ou diálise peritoneal crônica. Cada uma delas tem vantagens e desvantagens que o nefrologista orientará.
3- Transplante renal que pode ser feito antes do início das diálises ou depois delas terem sido iniciadas.

O transplante renal é a opção que propicia melhor qualidade de vida e consiste na colocação de um novo órgão que para ser mantido e funcionando bem exige o uso de medicamentos – os imunossupressores, por toda a vida.

Podem ser doadores: falecidos ou vivos e entre os vivos, parentes consanguíneos ou não consanguíneos. Doadores vivos não consanguíneos só podem doar após autorização da Justiça, o que se consegue rapidamente.

O órgão oriundo de um doador falecido é sempre destinado a um receptor determinado pela Secretária de Estado da Saúde, que obedece a regras rigidamente estabelecidas para a indicação do receptor e, entre elas, tempo de inscrição, tempo de diálise, situação clínica do receptor e grau de compatibilidade entre doador e receptor.

Para que um doador vivo seja aceito há a necessidade de exames laboratoriais e de imagem normais, compatibilidade com o tipo sanguíneo do receptor, vários testes imunológicos também compatíveis. Como se disse, exige-se compatibilidade, mas não igualdade de tipo sanguíneo. Por exemplo, o doador O pode doar para receptores O e todos os demais, o B e A podem doar para o AB, mas não podem receber de AB. O fator Rh – tão importante em outras situações, não é valorizado para o transplante renal. A utilização de doadores com tipo sanguíneo incompatível pode também ser feito e esse procedimento já é realizado rotineiramente, com sucesso, há muitos anos, em alguns países do mundo, porem ainda é bastante dispendioso para ser incluído na nossa rotina terapêutica.
Normalmente, o rim transplantado é colocado numa área diferente daquela onde estão os rins nativos e não são abordados durante a cirurgia, de tal modo que, após o transplante, o paciente ficará com três rins – os dois nativos que não mais funcionam e o novo rim transplantado ou também chamado de enxerto renal.

A rigor, o termo utilizado acima – “não mais funcionam” para os rins nativos e doentes, não é totalmente correto. Nossos rins, além da função primordial de eliminar pela urina substâncias que não nos servem mais, têm outras como a de produzir importantes substâncias para nosso organismo e essas funções podem permanecer mesmo naqueles rins atrofiados sem nenhuma função de excreção. Entre essas substâncias há hormônios que interferem na pressão arterial, na produção de glóbulos vermelhos, no metabolismo do cálcio, entre outras.

Para a indicação do transplante renal o nefrologista analisa a situação clínica do paciente, a doença causadora da insuficiência renal, certifica-se que a doença é irreversível, avalia a função residual dos rins, e, com posse de todos os dados, indica a melhor forma de tratamento que pode ser diálise crônica, transplante renal ou tratamento conservador.
A título de informação, é oportuno assinalar que pode ocorrer, e isso não é tão raro, insuficiência renal avançada associada à diurese alta. Em outras palavras, urinar muito não significa obrigatoriamente que os rins sejam bons.

O transplante renal é um procedimento cirúrgico em sua natureza e a participação do Urologista é fundamental, pois é o cirurgião responsável pela colocação do órgão no receptor e também pela retirada do órgão doado no caso de transplante entre vivos. Ele realiza todas as etapas do procedimento incluindo a ligação das artérias e veias do rim transplantado nos vasos sanguíneos do receptor e a ligação do ureter do rim transplantado na bexiga do receptor. Durante a internação do doador de rim, todo o cuidado pós-operatório, inclusive no tratamento de possíveis complicações cirúrgicas é realizado pelo Urologista com suporte da nossa equipe quando necessário. O Urologista também participa do seguimento pós-operatório do receptor, enquanto este estiver internado, monitorizando possíveis complicações cirúrgicas e reavaliando o paciente caso o Nefrologista solicite.

Na avaliação para transplante entre vivos encaminhamos tanto o receptor e o doador para consulta com o Urologista. Essa consulta é importante, pois será o primeiro contato de ambos com o cirurgião que realizará os procedimentos e para que o Urologista avalie os exames dos pacientes, decidindo qual rim será retirado do doador e como será implantado no receptor.

Evolução pós-transplante renal

Com frequência enfatizamos aos nossos pacientes que o transplante renal não termina quando o cirurgião acaba a cirurgia. Pelo contrário, este momento inicia uma nova fase na vida do paciente que se estenderá por tempo indeterminado.

O sucesso do transplante depende de vários fatores: dos cuidados pré-operatórios, de um órgão adequado, da cirurgia propriamente dita e, de modo especial, do rigor como se faz o controle pós-transplante. Controles semanais nos primeiros meses são críticos para diagnósticos precoces de complicações e rígido acerto na dose dos chamados imunossupressores.

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