Calculose renal

A definição da DRC baseia-se na alteração da taxa de filtração glomerular e/ou lesões estruturais nos compartimentos do rim mantidas por mais de 3 meses. Pode ser estimada através de fórmulas específicas, necessitando da coleta de um exame de sangue, a creatinina. Desde de 2002, a National Kidney Foundation (KDOQI) publicou diretrizes que foram amplamente divulgadas e aceitas mundialmente. Essa classificação é dividida em 5 estágios de acordo com a redução da filtração glomerular. Sendo o estágio 5 o mais grave, cuja a filtração glomerular encontra-se abaixo de 15mL/min/1,73m2 e em geral com necessidade de diálise. Apesar de ser facilmente diagnosticada em fases mais precoces, por falta de divulgação e conhecimento populacional, a proporção de pacientes que chegam, em fases já avançadas da DRC, ao nefrologista ainda é elevada. O diagnóstico precoce é fundamental, para receber tratamento adequado, e com isso, retardar e/ou evitar a progressão da DRC, reduzindo a morbimortalidade desses pacientes. No Brasil, as principais causas de DRC são: Diabetes melittus, hipertensão arterial sistêmica, pielonefrite crônica, doença renal policística, glomerulopatias. Os sintomas da DRC aparecem em estágios avançados, por isso, os grupos de risco devem realizar exame clínico e laboratorial periódico para o diagnóstico precoce. Os sinais e sintomas mais comuns da DRC são: fraqueza e cansaço fácil, anemia, hipertensão arterial, inchaço de pés, tornozelos e pálpebra, redução do apetite, volume urinário reduzido, porém com maior frequência principalmente a noite.

Dúvidas comuns

1. Quais as principais funções dos rins e como eles ajudam na manutenção da saúde? Os rins são dois órgãos em forma de feijão mais ou menos do tamanho de um punho fechado. Eles estão localizados em ambos os lados da coluna vertebral, logo abaixo da caixa torácica, em uma região das costas chamada lombar. Cada rim contém cerca de um milhão de unidades minúsculas chamadas néfrons. Os néfrons são os filtros que removem o excesso de líquido, sal e as escórias para serem eliminados na forma de urina.             Os rins executam várias funções importantes:

  • Filtrar o sangue para remover o excesso de líquidos e resíduos.
  • Controlar a produção de glóbulos vermelhos.
  • Ajuda a controlar a pressão arterial.
  • Tornar ativa a vitamina D, mantendo os ossos mais saudáveis.
  • Eliminar alguns medicamentos e outras substâncias ingeridas.

2. Qual a importância da doença renal crônica? Nos dias atuais, a doença renal crônica (DRC) constitui importante problema médico e de saúde pública. Segundo dados do Ministério da Saúde e da Sociedade Brasileira de Nefrologia em vinte anos o número de pacientes renais crônicos dialíticos mais do que quadruplicou. Em 1994 eram 24.000 renais crônicos em programas de diálise, evoluindo para quase 110.000 pacientes em 2013. Estima-se que 10% da população brasileira tenha algum grau de comprometimento da função renal. 3. O que é doença renal crônica? A doença renal crônica resulta do processo de perda irreversível da função dos rins. Nesta situação, as atividades renais não são executadas de forma adequada levando ao acúmulo de resíduos e líquidos no organismo. O paciente pode desenvolver complicações como a pressão arterial alta, anemia, ossos fracos, desnutrição, maior possibilidade de infecções e afecções nervosas. Além disso, a DRC leva ao risco de o paciente desenvolver doenças cardíacas e dos vasos sanguíneos. A evolução pode ocorrer lentamente durante longo período de tempo, ou de forma mais rápida, dependendo da causa. A detecção e o tratamento precoce muitas vezes impedem o agravamento da insuficiência renal. No estágio mais avançado da DRC se instala a falência renal, que exige diálise ou transplante de rim para o paciente manter-se vivo. 4. O que causa a doença renal crônica? As duas principais causas de doença renal crônica são a diabetes melito e a hipertensão arterial. A diabetes ocorre quando o açúcar atinge altos níveis no sangue, prejudicando diversos órgãos e músculos do corpo, incluindo os rins e o coração, além dos vasos, nervos e olhos. A hipertensão ocorre pelo aumento da pressão do sangue contra as paredes dos vasos, alterando-os de forma evolutiva. A falta de controle da pressão arterial pode resultar em ataques cardíacos, derrames e DRC. Além disso, a insuficiência renal crônica pode provocar a hipertensão. Outras condições que afetam os rins são:

  • Glomerulonefrite, um grupo de doenças que provocam inflamação e prejudicam as unidades filtrantes do rim. Esses distúrbios constituem o terceiro tipo mais comum de doença renal.
  • Causas genéticas, como a doença renal policística, que leva à formação de grandes cistos nos rins. Os cistos prejudicam o tecido renal ao redor deles.
  • Malformações que ocorrem no desenvolvimento do bebê no útero materno. Por exemplo, pode ocorrer estreitamento impedindo a saída normal da urina, causando o retorno desta para o rim. Isso causa infecções e perda da função renal.
  • Lúpus e outras doenças que afetam o sistema imunológico do organismo.
  • Obstruções provocadas por problemas como pedra nos rins, tumores e crescimento da próstata em homens.
  • Infecções urinárias recorrentes.

5. Quais são os sintomas da insuficiência renal crônica? A maioria das pessoas não apresenta sintomas graves até que a doença renal esteja avançada. A perda de mais da metade no funcionamento dos rins traduz poucos sinais e sintomas aos pacientes, isto se deve a grande capacidade de adaptação a esta adversidade. Por isso, a DRC é silenciosa. Para exemplificar esta situação um paciente com trinta e cinco por cento de função renal pode ser praticamente assintomático, enquanto outro paciente com o mesmo grau de comprometimento pulmonar necessitaria de suplementação de oxigênio para sobreviver. Esta propriedade dos rins dificulta o diagnóstico precoce. Porém, o paciente pode observar que:

  • Sente-se mais cansado e com menos energia
  • Tem dificuldades para se concentrar
  • Está com o apetite reduzido
  • Sente dificuldades para dormir
  • Sente cãibras à noite
  • Está com os pés e tornozelo inchados
  • Apresenta inchaço ao redor dos olhos, especialmente pela manhã
  • Está com a pele seca e irritada
  • Urina com mais frequência, especialmente à noite.

6. Quem pode desenvolver a doença renal?  Qualquer pessoa e em qualquer idade pode ser acometida pela falência renal crônica. Porém, alguns têm maior probabilidade que outros de desenvolvê-la. A literatura médica estabeleceu os fatores de risco, para auxiliar na previsão de quais  indivíduos terão a maior probabilidade de desenvolvimento da DRC. A hipertensão arterial sistêmica e a diabetes melitosão as principais causas de ingresso de paciente em clínicas de diálise. Logo, diabéticos e hipertensos fazem parte deste grupo de risco. Outros fatores de risco são a história familiar de doença renal, idade acima de sessenta anos, história pregressa de infarto agudo do miocárdio ou acidente vascular cerebral, obesidade e finalmente o tabagismo. O hábito de fumar um maço de cigarros por dia, durante 20 anos aumenta em 51 % a chance de DRC. 7. O que se deve fazer quando existe um risco maior de doença renal? Todo indivíduo que apresentar risco maior de doença renal, deve consultar-se com clínico geral ou nefrologista para ser examinado. Podem ser feitos os seguintes exames:

  • Medição da pressão arterial
  • Exame simples de proteína na urina. A proteína não é encontrada normalmente na urina. A proteína é um importante componente estrutural do organismo e os rins normalmente retêm qualquer proteína filtrada. Quando os rins estão afetados, a proteína passa para a urina. A presença de proteína persistente na urina (dois exames positivos em algumas semanas) pode ser um sinal precoce de doença renal.
  • Um exame de sangue simples para medir o nível de creatinina, um resíduo que se origina da atividade muscular normal. Quando os rins estão prejudicados, podem ser observados altos níveis de creatinina do sangue. Os resultados do exame de sangue de creatinina devem ser utilizados para calcular a taxa de filtração glomerular, ou TFG. A TFG informa o nível da função renal.

8. Outros exames para ajudar a detectar a doença renal crônica? Podem ser feitos outros exames para ajudar a detectar a doença renal crônica.

  • O exame de urina tipo I pode detectar muitas anormalidades na urina, como sangue, proteína, pus, açúcar e bactérias.
  • A microalbuminuria é um exame sensível para detectar uma pequena quantidade de proteína na urina.
  • A creatinina da urina avalia a concentração da urina e ajuda a obter um resultado preciso de proteína.
  • A relação proteína/creatinina avalia a quantidade de proteína excretada na urina por dia. Esse exame pode substituir a amostra de urina de 24 horas.

O Tratamento da doença renal crônica inicia-se com a prevenção. 9. A prevenção da DRC épossível mesmo com um risco maior? Sim. O paciente pode ser orientado a:

  • Fazer exames periódicos com o médico.
  • Seguir o tratamento prescrito para diabetes e/ou hipertensão arterial.
  • Perder excesso de peso seguindo uma dieta saudável e um programa de exercícios periódicos.
  • Parar de fumar, se for fumante.
  • Evitar o uso de anti-inflamatórios ou outras medicações sem orientação médica.
  • Fazer mudanças na dieta, como reduzir o sal e a proteína.
  • Limitar a ingestão de bebidas alcoólicas.

10. O que é possível fazer se os exames mostram que a pessoa já sofre de doença renal crônica?  O médico precisará detalhar o diagnóstico e avaliar a função renal para poder planejar o tratamento. O médico pode consultar um nefrologista sobre o caso para auxiliar no tratamento. Podem ser tomadas as seguintes providências:

  • A avaliação da taxa de filtração glomerular (TFG) que informa o nível da função renal. Não é necessário nenhum outro exame para avaliar a TFG. O médico pode calculá-la a partir dos resultados do exame de sangue creatinina, considerando a idade, raça, gênero e outros fatores. A TFG auxilia o médico a determinar o estágio da doença renal crônica.
  • A ultrassonografia ou tomografia abdominal sem contraste radiográfico produz imagens dos rins e do trato urinário. Estes exames mostram o tamanho dos rins, se há tem algum bloqueio à passagem de urina, como pedras nos rins ou tumores e se existem problemas na estrutura dos rins e do trato urinário.
  • A biópsia dos rins envolve a análise de pequenos pedaços do tecido renal ao microscópio. Não existe relação entre biópsia e a suspeita de câncer. A biópsia é recomendada em alguns casos para:
    • Identificar o tipo específico da doença renal.
    • Determinar o nível da lesão já existente.
    • Planejar o tratamento.

      11. Qual é o estágio da doença renal crônica do paciente?  

    Estágio Descrição Taxa de filtração glomerular (TFG)*
    1 Afecções renais (por exemplo, proteína na urina) com TFG normal. 90 ou acima
    2 Afecções renais com leve redução na TFG. 60 a 89
    3 Redução moderada. 30 a 59
    4 Redução grave. 15 a 29
    5 Falência renal. Menos de 15

    *O número da TFG informa ao médico o nível da função renal. À medida que a doença renal progride, o número da TFG diminui.   12. Qual é o tratamento para quem sofre de doença renal crônica? O tratamento depende do estágio da DRC e de outros problemas de saúde do paciente. Ele pode incluir os seguintes aspectos:

    • Controle dos demais problemas de saúde. O paciente pode apresentar diabetes e hipertensão, que podem prejudicar os rins. Um dos objetivos do tratamento é garantir que estes estejam bem controlados O médico pode orientar ao paciente a perder peso, se for o caso, ou reduzir o sal da dieta, além da prescrição de medicamentos que reduzam a pressão sanguínea e protejam os rins. Se o paciente sofre de diabetes, será necessário monitorar o açúcar do sangue, seguir a dieta e tomar os medicamentos indicados pelo médico.
    • Prevenção de problemas cardíacos. Os pacientes com DRC também apresentam maior probabilidade de desenvolver problemas cardíacos. O controle da diabetes e da hipertensão é muito importante para a prevenção de problemas cardíacos. Além disso, a anemia (baixa quantidade de células vermelhas no sangue) deve ser tratada porque pode prejudicar o coração. Para tratar a anemia, pode ser necessário tomar o hormônio eritropoietina (EPO) e suplementos de ferro. Se o nível de colesterol estiver muito alto, o médico deve recomendar mudanças na dieta, exercícios periódicos e, possivelmente, medicamentos específicos, para baixar o colesterol. O hábito de fumar piora a doença coronária e a DRC, sendo necessário parar de fumar. Dependendo dos sintomas, o médico pode pedir exames adicionais para verificar o coração.
    • Tratamento de complicações da DRC. A doença renal pode trazer complicações, como anemia e doença óssea. Além do tratamento da anemia com EPO e suplementos de ferro, pode ser necessário seguir algumas orientações para a manutenção de ossos saudáveis. Pode ser necessário limitar a quantidade de alimentos ricos em fósforo na dieta, utilizar medicamento que reduz a absorção de fosfato da dieta e repor vitamina D.
    • Acompanhamento da evolução:
    • A taxa de filtração glomerular (TFG) será verificada periodicamente para determinar a evolução da perda da função renal.
    • A quantidade de proteína na urina será verificada periodicamente.
      •  Serão feitos exames nutricionais para confirmar que o paciente está ingerindo proteínas e calorias em níveis adequados para manter a saúde geral. O paciente poderá ter que seguir uma dieta que restringe proteínas e terá que obter calorias de outras fontes de alimentação. O médico também pode encaminhar o paciente ao nutricionista que irá ajudá-lo a planejar o uso de alimentos certos nas quantidades certas.

    13. É possível impedir que a insuficiência renal piore?  Muito provavelmente. O objetivo do tratamento é retardar ou impedir que a doençaa renal progrida de forma desfavorável. O médico pode entrar em contato com um nefrologista para criar um plano de tratamento específico para a DRC. O resultado depende dos seguintes fatores:

    • O estágio da doença renal no momento do diagnóstico e do início do tratamento. A taxa de filtração glomerular é o melhor exame para medir a função renal e determinar o estágio da insuficiência renal. Quanto mais cedo à perda de função renal for detectada e tratada, maior a probabilidade de reduzir ou interromper a evolução.
    • O nível de atenção com que o paciente segue o tratamento. O paciente é o membro essencial da equipe de assistência médica. Ele deve aprender o máximo possível sobre a doença renal crônica e seguir fielmente todos os passos do tratamento. A pergunta ao médico de quais foram os resultados dos exames, ajuda a acompanhar a evolução da TFG, o paciente saberá em que estágio da doença se encontra.
    • A causa da insuficiência renal do paciente. Algumas doenças são de controle mais difícil.

    14. O que acontece se a função dos rins piorar? Se a insuficiência renal piorar e a taxa de filtração glomerular (TFG) cair abaixo de 30, o médico deve explicar ao paciente as opções de tratamento para falência renal. O paciente deve ser encaminhado ao nefrologista. Esse médico pode já ter examinado o paciente antes e trabalhado com o médico do atendimento básico na criação do plano de tratamento. O nefrologista ajudará a tratar a doença e fornecerá informações sobre falência renal para tomar as melhores decisões sobre tratamento para o paciente e sua família com base:

    • Na condição médica do paciente.
    • No estilo de vida e preferência pessoal do paciente.

    Se a TFG cair abaixo de 15, será necessário iniciar o tratamento para falência renal. Existem dois tratamentos comprovados para falência renal: diálise e transplante de rim. A diálise é um tratamento que remove os resíduos e o excesso de líquido do sangue. Existem dois tipos de diálise: a hemodiálise e a diálise peritoneal. O nefrologista ajudará a decidir qual dessas opções é a melhor para o caso. 15. Como é possível enfrentar a doença renal crônica?  O diagnóstico de DRC pode ser difícil de enfrentar. O paciente e a família podem necessitar de mudanças no estilo de vida para ajustá-lo à condição do paciente e do novo tratamento. Para o paciente é importante perceber que não precisa enfrentar o problema sozinho. Existem instituições públicas e privadas que possuem equipes multiprofissionais disponíveis para ajudar e orientar. Também poderá ser útil conversar com outras pessoas que sofrem de DRC. Saber o que esperar e o que é possível fazer ajudam a dar um sentimento de controle sobre a doença.

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