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Trata-se de enfermidade bastante frequente que acomete cerca de 30% da população, percentual que aumenta com o envelhecimento, tanto em homens como em mulheres.

Atualmente, o controle terapêutico da hipertensão arterial é muito mais fácil do que era há alguns anos quando tínhamos poucos medicamentos e, além disso, que causavam intensos efeitos colaterais que dificultavam sobremaneira a adesão ao tratamento. Hoje, em razão das múltiplas opções existentes, tudo ficou mais fácil e melhor tolerado. Entretanto, apesar de mais facilidades terapêuticas e com medicamentos mais bem tolerados, o percentual de pacientes que se controla adequadamente ainda é baixo, da ordem de 50%, quer no Brasil como em países desenvolvidos.

Como se mede a pressão arterial

As sociedades médicas recomendam uma série de critérios para que se faça a adequada medida da pressão arterial. Uma só aferição, em circunstâncias não adequadas, com aparelho não adequadamente calibrado com frequência propicia resultados equivocados que geram transtornos, sobretudo, para o próprio paciente.

Assim, entre outras regras, recomenda-se:

1- Postura adequada, isto é, a pressão deve ser medida em posições diferentes.
2- Recomenda-se não tomar café e outros estimulantes e não fumar pelo menos uma hora antes da medida da pressão.
3- Tamanho do manguito do aparelho deve ser adequado e calibrado periodicamente.
4- Fazer mais de uma determinação com intervalo adequado entre elas.

Essas informações têm o objetivo de esclarecer que para medir a pressão arterial há regras bem definidas. Chegar numa farmácia ou no pronto socorro – estressado por qualquer razão, e medir a pressão traz, como muita probabilidade, resultados que exigem correta interpretação.

O que é Hipertensão arterial?

Como regra geral, considera-se hipertensão arterial níveis acima de 14 por 9 cm/Hg, mas a correta interpretação do resultado, de suas repercussões no organismo, decisão de investigar a causa e a escolha da melhor opção terapêutica devem ser sempre feita pelo clínico.

Em algumas situações o médico utiliza para controle do tratamento e algumas vezes para concluir se há ou não hipertensão arterial o recurso do M.A.P.A. – sigla que significa “monitorização ambulatorial da pressão arterial” – exame que registra o valor da pressão a intervalos regulares nas 24 horas do dia. Em regime ambulatorial – MAPA, a interpretação dos resultados dependerá da hora e das condições do paciente:

1- Média das medidas nas 24 horas acima de 13 por 8,5 cm/Hg
2- Média durante o dia – paciente acordado, acima de 14 por 9 cm de Hg
3- Média noturna – paciente dormindo, acima de 12,5 por 7,5 cm/Hg.

É preciso assinalar que um resultado isolado e alterado da pressão arterial não confirma o diagnóstico, sobretudo em algumas situações como na primeira visita ao médico ou em circunstâncias de estresse dentro de um Pronto Socorro. Para se concluir o diagnóstico deve-se medir a pressão arterial em condições estáveis, em dois ou mais momentos diferentes.

Confirmado o diagnóstico de hipertensão arterial o médico decidirá pelo tratamento e/ou pela investigação de uma possível causa. Algumas vezes, removida a causa cura-se totalmente e, em outras, reduz-se significativamente a quantidade de drogas necessárias para controle da hipertensão.

Tipos de hipertensão

Todos nós deveríamos ter um médico de confiança, que conheça a nossa vida e o nosso histórico, não apenas as nossas doenças e medicações. Ter um médico de confiança é escolher não passar nervoso e medo nas situações de dificuldade. O clínico cuida da sua saúde nas horas difíceis e é alguém com quem o paciente pode contar nos momentos de angústia e medo. Você poupa horas em filas de prontos-socorros, centenas de reais em medicamentos desnecessários e nunca mais vai precisar realizar investigações e tratamento redundantes ou ineficientes. Lembre-se, o médico tem que começar seu raciocínio profissional do zero quando não lhe conhece.

O acompanhamento médico em consultório é a forma mais eficiente de promover saúde, prevenir doenças, diagnosticá-las precocemente e evitar complicações de doenças crônicas como hipertensão, diabetes, calculose renal ou doença renal crônica, por exemplo.

Na grande maioria dos casos poucas consultas anuais, quando não apenas uma, são suficientes para organizar a assistência médica, evitando excesso de exames, uso desnecessário de medicações e até internações.

Avaliação pré-operatória

1- Primária ou essencial – é chamada primária ou essencial por não apresentar uma causa bem definida. Existem vários fatores que são implicados na sua formação, como genéticos, hormonais, nutricionais, raciais, etc. Este tipo de hipertensão é muito mais comum e geralmente mais severa em indivíduos da raça negra podendo piorar com uma série de situações, como excesso de sal e de álcool, aumento do colesterol, com ou sem obesidade, obesidade propriamente dita, pílulas anticoncepcionais, uso prolongado de anti-inflamatórios, deficiência de vitamina D e vida sedentária. Por essas razões, além do tratamento farmacológico a mudança de estilo de vida (tratamento não farmacológico) tem importância crítica no sucesso do tratamento.

2 – Secundária ou de causa definida – São múltiplas as condições que podem causar hipertensão arterial e cabe ao médico, com exames apropriados, identificá-las. Entre as mais frequentes temos: doenças renais, drogas como anticoncepcionais, uso prolongado de anti-inflamatórios, doenças das suprarrenais, tireoide, etc. Muitas dessas condições quando adequadamente removidas propiciam a cura ou importante melhora da doença.

Algumas vezes a hipertensão arterial muda o curso habitual e se eleva a níveis bastante elevados, geralmente com diastólica (mínima) acima de 12. Essa situação, quando associada a alterações visuais e do fundo de olho, no início sem sintomas, e de outros órgãos nobres como cérebro, coração, rins, ejaculação sanguinolenta, emagrecimento, chama-se hipertensão maligna que, como o nome sugere, é, definitivamente, uma emergência médica, pois pode causar em curto tempo acidentes vasculares cerebrais graves, insuficiência renal crônica dialítica, insuficiência cardíaca e outros danos. Em geral, os pacientes que desenvolvem hipertensão maligna são aqueles previamente hipertensos que não se tratavam ou que eram inadequadamente tratados.

Complicações da hipertensão arterial

Muitas vezes o paciente hipertenso não sente nada, nem dor de cabeça, mas os malefícios são inquestionáveis e aparecerão ao longo do tempo. Na maioria dos estudos o tratamento anti-hipertensivo reduz em cerca de 30% o risco de complicações cardíacas e de cerca de 40% de acidentes vasculares cerebrais (AVC).

Não é incomum o paciente deixar de usar a medicação porque, depois de iniciá-la, passou a sentir a alguma coisa, mas isso não deve ser motivo para interrupção do tratamento. A adaptação aos níveis normais de pressão arterial pode ser lenta e gerar alguns sintomas que desaparecerão com o tempo.

São várias as complicações relacionadas à hipertensão arterial, dependendo do nível da pressão e do tempo de doença. As mais comuns são: doenças cardiovasculares, acidentes vasculares cerebrais, isquêmicos e hemorrágicos e insuficiência renal crônica. Essas complicações tornam-se mais frequentes quando se associam outros fatores de risco, como tabagismo, obesidade, vida sedentária, alterações do colesterol, sono inadequado, razão pela qual o controle médico periódico é fundamental para o adequado controle.
Controle do paciente hipertenso.

São duas as linhas básicas de avaliação:

1 – Determinar a presença e extensão do comprometimento de órgãos alvo, como olhos – sobretudo pelo exame do fundo de olho, coração – pelo ECG e ecocardiograma, rins – avaliação da função renal e exames de imagem por meio de ultrassonografia e Doppler da vasculatura renal.
2 – Exames laboratoriais rotineiros: lípides, eletrólitos, glicemia, função tireoideana.
3 – Pesquisa, nos casos suspeitos, de causas curáveis ou removíveis de hipertensão arterial, como doença renal unilateral e doenças das suprarrenais.

Tratamento

1- Farmacológico, com medicação rotineira. O MAPA (monitorização ambulatorial da pressão arterial) será útil para reajuste da medicação.

2- Não-farmacológico (mudança do estilo de vida): dieta, condicionamento físico, emagrecimento, estímulo para redução da ingestão de álcool, interrupção do cigarro.

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