clinica-medica

Acompanhamento clínico

Diabetes tipo 2 se caracteriza por hiperglicemia, resistência à ação da insulina e também comprometimento relativo da secreção de insulina. É muito mais comum em obesos e a prevalência aumentou significativamente na última década.

Critérios diagnósticos:

Hemglobina glicada maior que 6.5%
ou
Glicemia de jejum >126 mg/dl (jejum de no mínimo oito horas)
ou
Glicemia duas horas após ingestão de 75 g de glicose anidra dissolvida em água > 200 mg/dl.
ou
Glicemias repetidamente acima de 200 mg/dl.

Diabetes é frequentemente associada à obesidade, hiperlipemia (aumento da fração LDL e redução da fração HDL/colesterol), aumento de ácidos graxos livres, doença cardiocirculatória, hipertensão arterial, alterações oculares e hiperuricemia. Esse conjunto de manifestações recebe o nome síndrome metabólica, que não raramente ocasiona também doença renal crônica e é hoje uma das causas mais prevalentes de diálise crônica.
Em razão desses dados, faz parte da avaliação do diabético tipo 2 a pesquisa e controle dessas comorbidades, com frequência variável dependendo do quadro clínico de cada paciente.
Admite-se que a hiperinsulinemia que se observa nessas condições, induzida por resistência à ação periférica, contribua para as condições mencionadas.
O tratamento dos pacientes com diabetes tipo 2 inclui a associação de várias medidas, diagnósticas, educacionais e terapêuticas, sumarizadas a seguir:

1- Redução do peso, dieta e exercício podem e devem ser utilizados para auxilio terapêutico, porém, na maioria das vezes, será necessário o uso concomitante de medicação. A redução do peso propicia melhor metabolismo da insulina, melhor controle da glicemia e, certamente, melhor qualidade de vida.

2- A medicação inicial sugerida é a Metformina – dose total de 2000 a no máximo 2500 mg/dia divididas em duas tomadas. A Metformina não deve ser utilizada em pacientes com predisposição para desenvolver acidose lática, como insuficiência renal crônica – creatinina acima de 2,5 mg/dl.

3- Para casos com intenso descontrole glicêmico, hemoglobina glicada acima de 10 e com cetonúria deve-se iniciar o tratamento com insulina.

4- Para pacientes com intolerância à Metformina ou para pacientes idosos e magros aconselha-se o uso de sulfonilureia de curta duração como opção inicial do tratamento – glipizida e glicazida, pois, por serem de ação mais rápida, causam menos hipoglicemia do que as sulfonilureias de longa duração. Observa-se também ganho de peso com esses medicamentos.

5- Metiglinidas (Repaglininda e Nateglinida) são opções aos intolerantes às sulfonilureias de curta duração, porém mais caras e não têm vantagens terapêuticas adicionais.

6- Tiazolidinedionas – Rosiglitazona e pioglitazona não devem ser consideradas até que novos estudos comprovem segurança.

7- Inibidores da DPP-4 (dipeptidil peptidase 4) – Os inibidores da enzima DPP-4 agem impedindo a degradação de um hormônio produzido no intestino chamado GLP-1 (glucagon like peptide-1). Este hormônio é liberado após alimentação, estimula o pâncreas a produzir insulina e é prontamente degradado pela enzima DPP4. Os inibidores desta enzima – DPP4 – propiciam tempo maior de atividade da GLP1. No Brasil há três representantes desta classe: sitagliptina (Januvia®), vildagliptina (Galvus®) e Saxagliptina (Onglyza®).

8- Análogos do GLP-1 – Agem como a GLP-1 mas não sofrem a ação da DPP4. O representante desta classe no comércio brasileiro é a exenatida (Byetta®) que causa queda da glicemia por estimular a secreção de insulina na presença de hiperglicemia, razão pela qual raramente causa hipoglicemia.

Orientações gerais para o tratamento do diabetes tipo 2

Cuidados psicológicos

Estilo de vida adequado com dieta, exercícios regulares e perda de peso. Evitar drogas que podem causar resistência à ação da insulina como: diuréticos tiazídcos, beta-bloqueadores (atenolol, propranolol, metoprolol), corticoides, anti-psicóticos de 2ª geração (clozapina, quetiapina, risperidona), entre outros. Sugere-se controle clínico e laboratorial trimestral com as seguintes metas:

1 – Glicemia de jejum entre 70 e 130 mg/dl.

2 – Glicemia pós-prandial (90 a 120 min após a refeição>8.5%.

3 – Hemoglobina glicada <7%. 4 – Acrescentar o segundo hipoglicemiante se, três meses após o início de Metformina e de mudança do estilo de vida, não se conseguir atingir valores da Hb glicada abaixo de 7%. 5 – A preferência deve ser para sulfonilureas de curta duração. 6 – Optar por insulina quando a Hb glicada for >8.5%.

7 – “Guideline” global para Diabetes tipo 2:

a – Procedimentos diagnósticos (critérios diagnósticos acima).

b – Reestruturação do estilo de vida, com exercícios físicos regulares, perda de peso e mudanças de hábitos alimentares.

c – Cuidados psicológicos.

d – Controle dos níveis de glicemia e de Hb glicada, conforme parâmetros assinalados acima.

e – Orientação para auto-monitorização da glicemia capilar.

8 – Proteção de risco cardiovascular: controle dos níveis de colesterol e triglicérides, orientação para os malefícios do cigarro, – sobretudo em diabéticos, rígido controle da pressão arterial e, quando indicado, uso profilático de antiagregantes plaquetários.

9 – Outros dados:

a – Exame oftalmológico anual ou conforme orientação de oftalmologista.

b – Pesquisa anula de envolvimento renal.

c – Cuidado com o pé.

d – Pesquisa de neuropatia.

Orientações gerais para o tratamento do diabetes tipo 1

O tratamento básico de pacientes com diabetes tipo 1 é feito com insulina e há várias maneiras de administrá-la, dependendo das condições de cada paciente como: idade, nível cultural, presença ou não de comprometimento de outros órgãos, nível de participação familiar, entre outros.

Além da insulina há vários recursos de ordem não farmacológica que se aplicam a esses pacientes, como estilo de vida, orientação nutricional e psicológica adequadas, enfatizando que o adequado controle resultará em melhor qualidade de vida e menor probabilidade de comprometimento sistêmico da doença.

Fale conosco contato