O que é Diálise

Quando os rins se tornam insuficientes, a diálise deve ser utilizada como a forma de tratamento para disponibilizar aos pacientes algumas das funções renais. A diálise remove as toxinas, impurezas e o excesso de líquido no organismo. São duas as formas de fazer diálise, a hemodiálise onde o sangue carregado de impurezas é filtrado em uma máquina chamada rim artificial. A outra forma é a diálise peritoneal o sangue é filtrado através do peritôneo, membrana que recobre os órgãos internos do abdômen, utilizando soluções infundidas na cavidade abdominal e posteriormente drenadas.

Dúvidas comuns

1. Quem precisa fazer diálise?

Como regra geral costuma-se iniciar os preparativos para início do tratamento dialítico quando a função renal fica abaixo de 15% do habitual (depuração de Creatinina inferior a 15ml/min), na fase avançada da doença renal crônica (estágio 5). Existem outras indicações de diálise como o excesso de líquidos no organismo que não é tolerável pelo paciente. Excesso de algumas substâncias que deveriam ser eliminadas pelos rins como o potássio ou intoxicações por medicamentos como o lítio.

2. O que faz a diálise?

Quando os rins falham, a diálise mantém o organismo em equilíbrio através:

  • Remoção de resíduos, do sal e da água, evitando o acúmulo destas substâncias.
  • Manutenção do nível seguro de certos elementos no sangue tais como potássio, sódio e bicarbonato.
  • Auxilia no controle da pressão arterial.

3. Quem começa a fazer diálise fará o tratamento para sempre?

Nos pacientes em que a perda da função renal é reversível, também chamada de lesão renal aguda, o tratamento dialítico será realizado até o paciente recuperar a função renal. Isso pode levar de duas a seis semanas. Nos casos de doença renal crônica em que a perda da função renal é evolutiva e irreversível a dialise é utilizada como terapia de suporte para a manutenção da vida de forma definitiva. A opção ao tratamento dialítico é o transplante renal.

4. Onde a diálise deve ser realizada?

A diálise peritoneal o procedimento é realizado na casa do paciente sobre supervisão a distância da equipe médica e de enfermagem, após extenso treinamento. A hemodiálise deve ser realizada em clínica especializada em diálise ou dentro de um hospital. A escolha é feita pelo nefrologista ajunto com o paciente e seus familiares respeitando as condições clínicas e o desejo do paciente. Em alguns países existem programas de hemodiálise domiciliar.

5. O que é a hemodiálise?

Na hemodiálise, o rim artificial é usado para remover resíduos metabólicos e  o excesso de líquido do sangue. Para obter o sangue para o rim artificial, o médico precisa fazer um acesso (entrada) nos vasos sanguíneos. Isso é feito por uma pequena cirurgia no antebraço, braço ou perna. O acesso é feito juntando-se uma artéria a uma veia sob a pele para obter um vaso sanguíneo maior chamado de fístula. No entanto, se os vasos sanguíneos não são adequados para a fístula, o médico pode usar um tubo de plástico macio para se juntar a uma artéria e uma veia sob a pele. Isso é chamado de enxerto. Ocasionalmente, o acesso é feito por meio de um tubo de plástico estreito, chamado cateter, o qual é inserido numa veia grande do pescoço ou da perna. Este tipo de acesso pode ser temporário, mas pode ser utilizado para o tratamento em longo prazo.

6. Qual médico é responsável pelo acesso vascular para hemodiálise?

O médico responsável pela confecção da fístula arteriovenosa e os implantes de cateteres venosos para hemodiálise é o cirurgião vascular. Este especialista avalia a técnica cirúrgica, monitora o funcionamento através das informações das enfermeiras da unidade de diálise e soluciona as intercorrências, frequentemente, as unidades de diálise possuem equipes de cirurgia vascular para este acompanhamento.

7. Quanto tempo dura os tratamentos de hemodiálise?

O tempo necessário para a hemodiálise depende:

  • Se existe função residual dos rins. Os rins não paralisam o funcionamento por completo no início.
  • Quanto peso o paciente ganha de líquido entre uma diálise e a seguinte
  • A quantidade de resíduos produzida no organismo.
  • O tamanho do paciente
  • O tipo de rim artificial usado.

Geralmente, cada tratamento de hemodiálise dura cerca de três a quatro horas três vezes por semana. Outra forma de tratamento é a dialise diária, o tratamento tem a duração de 1,5 h a 2,5 h de cinco a seis vezes por semana. A modalidade diária é mais fisiológica retirando menos líquido por sessão de diálise.

8. O que é a diálise peritoneal e como é que funciona?

Neste tipo de diálise, o sangue é limpo dentro do corpo do paciente. Existe a necessidade de realização uma cirurgia para colocar um tubo de plástico chamado cateter no abdômen (barriga) para infusão de líquido de diálise (dialisado). Durante o tratamento, a região interna do abdômen (cavidade peritoneal) é lentamente cheia com o dialisado através do cateter. O sangue fica nas artérias e veias que revestem a cavidade peritoneal. Os excessos de líquidos e resíduos de produtos movimentam-se do sangue para o dialisado e posteriormente este é drenado para fora da cavidade.

9. Quais são os diferentes tipos de diálise peritoneal e como eles funcionam?

Existem vários tipos de diálise peritoneal, mas duas modalidades são as principais são: A Diálise Peritoneal Ambulatorial Contínual (DPAC) e a
Diálise Peritoneal Automatizada (DPA). A DPAC é o único tipo de diálise peritoneal que é feito sem máquinas. O paciente pode realizar o procedimento sozinho ou com o auxílio de outra pessoa treinada. Isto ocorre, geralmente, quatro ou cinco vezes por dia em casa e / ou no trabalho. O paciente coloca o saco de diálise, cerca de dois litros, na cavidade peritoneal através do cateter. O dialisato permanece lá por cerca de quatro ou cinco horas antes de ser drenado de volta para o saco e jogado fora. Este processo é chamado de troca. Em toda troca é utilizado um novo saco com dialisado. Enquanto o dialisado está na cavidade peritoneal, o paciente pode executar as atividades habituais no trabalho, na escola ou em casa. Na diálise peritoneal automática (DPA), Cada troca, também chamado de ciclo tem a duração de 1-1/2 horas e são feitas durante toda a noite durante o sono. No final da madrugada o ultimo ciclo é encerrado com a drenagem do dialisato e o paciente permanece com a cavidade peritoneal vazia.

10. Será que a diálise pode ajudar a curar a doença renal?

A diálise é considerada tratamento de suporte, ou seja, substitui a função dos rins semelhante aos mesmos se estivessem funcionando. Nenhum tipo de diálise cura a doença renal crônica. O paciente precisa fazer diálise para toda a sua vida, por tempo indeterminado. A diálise pode ser suspensa nos casos de insuficiência renal aguda, quando existe possibilidade de recuperação da função renal ou em caso de transplante renal, quando o rim novo começa a funcionar o tratamento dialítico é interrompido.

11. A diálise pode gerar algum grau de desconforto?

O paciente pode ter dor quando a fístula ou enxerto são puncionados por agulhas, mas com o tempo de uso a intensidade da dor é bastante reduzida. A maioria dos pacientes não tem outros problemas e o próprio tratamento de diálise é indolor. No entanto, alguns pacientes podem apresentar redução da pressão arterial. Durante o episódio de hipotensão o paciente pode apresentar dor de barriga, náusea, vômito ou, sessão de cabeça leve. Outro sintoma bastante frequente são as câimbras nas panturrilhas ou outros grupos musculares resultado da retirada de líquido em excesso. Muitos pacientes vivem suas vidas normalmente, exceto pelo o tempo necessário para os tratamentos. A diálise geralmente faz o paciente se sentir melhor, porque reverte muitos dos problemas causados ​​pela insuficiência renal.

12. Quanto tempo o paciente pode viver em diálise?

A literatura médica ainda não tem uma resposta concreta para esta pergunta, entretanto, alguns fatores são importantes como a presença de outras doenças junto com a doença renal crônica. A sobrevida em diálise está aumentando, não sendo infrequente encontrarmos paciente com mais de vinte anos em diálise. Alguns autores relatam que alguns pacientes submetidos à diálise podem viver tanto quanto as pessoas sem insuficiência renal.

13. Qual é o papel do nefrologista no tratamento do paciente com doença renal crônica dialítica?

O nefrologista é o médico especialista que trata as doenças renais. Cabe ao nefrologista indicar o início do tratamento dialítico e conversar com o paciente e seus familiares para a escolha do melhor método. Após o início da diálise o paciente se modifica e vários ajustes devem ser feitos quanto ao peso, ajuste de medicações, inscrições em fila para transplante, avaliações do acesso vascular e análise dos exames laboratoriais. Estas funções são de responsabilidade do nefrologista. Os pacientes submetidos à dialise peritoneal ambulatorial passam em consulta de rotina uma vez por mês.

14. O paciente dialítico deve fazer alguma dieta especial?

Sim. Alguns pacientes que iniciam o tratamento dialítico já faziam dieta durante o tratamento conservador. Então alguns cuidados com não ingerir carambolas, restrição de sal e derivados do leite devem ser mantidos. Todavia, a ingestão de proteínas pode ser aumentada para evitar a desnutrição. Nas unidades de diálise a presença e atuação de nutricionista que integra a equipe multiprofissional auxilia o paciente portador de doença renal crônica.

15. O paciente renal crônico em diálise pode viajar?

Sim. Centros de diálise estão localizados em todos os estados brasileiros e em muitos países estrangeiros. O tratamento é padronizado. O paciente deve fazer uma solicitação e a equipe médica do centro de diálise deve preencher um relatório com todos os dados do paciente, as particularidades da prescrição da diálise e a lista de medicamentos. Esta solicitação deve ser enviada ao centro do destino da viajem. Alguns países solicitam exames específicos e os resultados devem estar descritos no relatório. O paciente deve se informar e a equipe da unidade de diálise pode ajudar, existem sites sobre viagem em diálise também.

16. O paciente em diálise pode continuar a trabalhar?

Muitos pacientes em diálise podem voltar ao trabalho depois de terem se acostumado à diálise. Se a atividade exige bastante esforço físico, o paciente pode solicitar um relatório da equipe médica para tenta a readaptação da função ou outro tipo de trabalho. No Brasil o paciente renal crônico em diálise tem direito a vários benefícios como isenção de impostos, acesso livre a transportes urbanos, entre outros. A assistente social na unidade de diálise pode ajudar a descobrir estes benefícios.

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